“Deus
amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho Unigênito, para que todo aquele
que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”
(João 3,16)
Este tem sido nosso credo... o verso bíblico
enfatizado nessa semana santa. Esse é o resumo, o significado e o valor de
todos os acontecimentos que envolveram a vida de Jesus que dão sentido a
celebração da semana santa. Celebramos o amor de Deus por nós. Amor
incondicional, pois como nos diz a Palavra: “Deus comprova seu amor para conosco
pelo fato de ter Cristo morrido em nosso benefício quando ainda
andávamos no pecado” (Romanos 5,8).
Nada pode nos separar do amor de Deus por
nós. O pecado tinha esse poder, e nada do que eu ou você pudéssemos fazer com
forças próprias poderia mudar isso, e como resultado ou conseqüência do pecado
vinha a morte eterna, mas Deus se faz um de nós na pessoa de Jesus Cristo e
assume o nosso lugar e faz aquilo que era impossível para mim e para você. Ele
paga a dívida de pecado. Hoje temos a possibilidade do perdão, da remissão dos
pecados e acesso a Salvação por causa do grande amor de Deus por nós. Por isso declaramos
nossa fé: “Deus amou...
Podemos dizer que a Semana Santa é a celebração
de baixos e altos na vida de Jesus. Vamos entender o porque dessa afirmação.
Iniciamos a semana com a lembrança da entrada triunfal de Jesus em Jerusalém.
Celebramos a Ceia Judaico/Cristã lembrando a última ceia de Jesus com seus
discípulos, trazendo a nossa memória o que Deus fez em favor de seu povo, ao
resgatá-los da escravidão egípcia. Na sexta-feira lembramos a paixão e morte do
Senhor: “ele
foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas
iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas
feridas fomos sarados”(Isaías 53,5).
Hoje estamos aqui para celebrar a ressurreição de Cristo, a vitória de Cristo
sobre a morte. Agora podemos compreender a afirmação inicial: no domingo da
paixão um ponto alto na vida de Jesus, aclamado e acolhido como Rei...
sexta-feira traído, negado(por seus amigos), julgado, condenado injustamente, e
morto... o mal tem o seu momento de glória(vitória), mas ao terceiro dia Jesus
ressuscita obtendo a vitória por excelência. Assim fica claro que Ele morreu
para que por seu sangue fossemos libertados da morte que é conseqüência de
nosso pecado, desce a mansão dos mortos para nos resgatar de lá. Vence a morte,
obtém vitória.
Do sofrimento, da
humilhação, da dor e da morte, veio a vitória, a alegria, a vida, a salvação. Por
isso, que o apóstolo Paulo vai afirmar escrevendo para seu amigo e companheiro
de missão Timóteo: “Tudo sofro por amor
dos escolhidos, para que também eles alcancem a salvação que está em Cristo
Jesus com glória eterna. Palavra fiel é esta: que, se morremos com ele, também
com ele viveremos. Se sofremos, também com ele reinaremos, se o negarmos ele
também nos negará” (2 Timóteo 2,10-12). Em meio ao sofrimento Paulo se
gloria, pois foi lhe concedida a graça de participar dos sofrimentos de Cristo.
Em meio aos sofrimentos Paulo não fica triste, desanimado, desiludido, pois ele
sabia que em Cristo estava a sua vitória. Assim como Cristo permaneceu fiel a
Deus, o Pai, obtendo vitória e glória, nós também, se permanecermos fieis, se
perseverarmos na fé, independente do que estivermos enfrentando, em Deus,
através de Cristo, obteremos vitória também. Pois, Deus nos ama e “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus”(Romanos 8,28).
Falando em amor... voltemo-nos para uma bela definição de
amor ou a um cântico ao amor que nos é relatado em I Coríntios 13 “O
amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se
ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus
interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a
injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo
espera, tudo suporta. O amor jamais acaba” E se a gente substituísse a palavra
amor por Jesus. Essa também deve ser a nossa busca como discípulos do Senhor
Jesus. A frase fica perfeita, pois em Jesus temos a demonstração perfeita ou
definição perfeita do que é amor. Imaginemos estarmos substituindo a palavra
amor por nosso nome... Será que combinaria conosco? Será que seria uma
definição do que somos?
Permanecemos com a
essa definição em mente e nos voltemos a uma afirmação do Revdo. Jonh Stott: “Se você quer uma definição de amor, não vá
ao dicionário, vá ao calvário”. Já refletimos em vários momentos
celebrativos aqui na igreja durante essa semana santa sobre a definição de
amor, encontrada no calvário, na pessoa de Jesus Cristo. Nele temos a definição
de amor perfeita. “Ninguém tem maior amor do que este, de
dar alguém a sua vida pelos seus amigos”(João 15,13). Agora podemos dar
o passo seguinte. Disse Jesus: “Vós sereis meus amigos, se fizerdes o
que eu vos mando” (João 15,14). Mas o que
Jesus nos manda fazer, ou o que Ele espera de nós: “Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei” (João 15,12).
Ou em outras palavras: “Eu lhes dei o
exemplo, para que vocês façam como lhes fiz” (João 13,15). Nada impossível de
se fazer, pois Jesus nos ensina o caminho, a forma de se fazer. No batismo nos
tornamos discípulos do Senhor Jesus, e ser discípulo é ser um seguidor do
Mestre, em palavras e exemplos, poderíamos também dizer, que é ser um imitador.
O Apóstolo Paulo escreve aos coríntios e os desafia: “Sede meus
imitadores, como também eu o sou de Cristo”
(I Coríntios 11,1). Paulo se considera um discípulo que buscava de todas as
formas e com todas as forças imitar, ou seja, seguir o Mestre Jesus, o qual o
chamou e o resgatou, e com seu exemplo desafia seus amigos, sua comunidade a
seguir esse mesmo caminho, ser imitador de Cristo.
Deus prova o seu amor por nós ao Cristo se
entregar na cruz para nos salvar da morte eterna. Fazer por nós o que era
impossível para nós. O que eu e você estamos fazendo para demonstrarmos nossa
gratidão por esse amor de Deus por nós? Cristo nos deu o exemplo sigamos seus
passos. Saiamos daqui, vivendo a Páscoa onde quer que estejamos. Jesus no
acontecimento da Páscoa nos resgata para vida, e nos chama/convoca a
resgatarmos aqueles que estiverem ao
nosso entorno para a vida.

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