Esse é um tema cercado de polemicas e
sempre que for abordado na Igreja pode gerar certo mal estar. Mas como
cristãos, pessoas que buscam seguir os passos de Jesus, consagrando-se a Deus e
vivendo segundo seus preceitos devemos olhar para o todo da Palavra e não
apenas para algumas partes. Convido-vos a nos libertarmos de nossos
preconceitos e a darmos uma navegada por algumas passagens bíblicas que fazem
referencia a esta prática de consagração a Obra do Senhor.
Uma das primeiras referencias a prática
de ofertar com 10% da renda aparece em Genesis 14,20. Passagem em que nos relata Abraão, depois de
sair vitorioso em uma guerra, ofertando a décima parte, perante Melquisedeque,
sacerdote do Deus Altíssimo.
Na
Lei do Senhor, repassada a Moisés, temos a oficialização dessa prática. “Também todas as dízimas da terra, tanto os
cereais do campo como dos frutos das árvores, são do Senhor; santas são ao
Senhor... No tocante às dízimas do gado e do rebanho, de tudo o que passar
debaixo do bordão o pastor, o dízimo será santo ao Senhor” (Levítico 27,30
e 32).
Em Números capítulo 18 temos o relato do
sustento dos sacerdotes e dos levitas(família responsável pelo cuidado do Templo),
o qual é proveniente das ofertas e dos dízimos colocados perante o Altar do
Senhor. Sustentados e mantidos para se dedicarem exclusivamente ao serviço no
Templo.
Ser fiel a essa Lei do Senhor é andar
segundo a sua vontade, é um ato de consagração a Deus. E o próprio livro de
Levítico relata as bênçãos decorrentes da obediência: “Se andares nos meus estatutos, guardardes os meus mandamentos e os
cumprirdes, então, eu vos darei vossas chuvas a seu tempo, e a terra dará sua
messe, e a árvore do campo, seu fruto” (Levítico 20,3-4). O texto segue
falando das bênçãos.
“Se formos fieis a Deus, o Criador de
todas as coisas, Ele certamente nos será fiel e jamais nos deixará faltar o
nosso sustento, tampouco permitirá que o espírito devorador atue em nossa vida.
Assim, Deus é glorificado com as primícias de toda a nossa renda e os 90% com
Ele valerão muito mais do que os 100% sem a sua proteção” (Ministro Leigo
Edison)
O
próprio Jesus, sendo um judeu fiel a Lei, viveu de forma exemplar freqüentando o
Templo e cumprindo com tudo que lhe era exigido como membro de uma religião,
conforme a sua organização. Uma clássica referencia quanto a Lei de Moisés,
proferida por Jesus, está em Mateus 5,17: “Não
penseis que vim revogar a Lei e os Profetas; não vim para revogar, vim para
cumprir”. E Jesus não estava se referindo a parte da Lei e sim ao todo da
Lei.
Outra referencia de Jesus ao Dízimo está
em Mateus 23, 23: “Ai de vós, escribas e
fariseus, por que dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho e tendes
negligenciado os preceitos mais importantes da Lei: a justiça, a misericórdia,
e a fé, devíeis, porém, fazer estas coisas, sem omitir aquelas”. Nessa afirmação Jesus adverte a prática
religiosa de dois grupos de judeus que estavam focados em parte da lei, e não
no seu todo. Muitas vezes, ao ser dizimista, eu posso achar que estou cumprindo
a Lei de Deus como um todo, mas não é bem assim, os preceitos do Senhor são
vários. Assim como, muitas vezes, ao me considerar uma pessoa boa, que ajuda
aos necessitados, eu posso achar que estou cumprindo com o todo da Lei de Deus,
mas novamente estou deixando uma parte de fora. Devemos dizimar, lutar pela
justiça, anunciar a misericórdia sendo misericordiosos, bem como, ter uma fé
firme em Deus, como nosso Senhor e Rei. Vivendo em plena comunhão com os irmãos
e com nosso Criador. A vida disciplinada de oração, comunitária ou pessoal,
além de uma disciplina no ouvir e ler a Palavra, nos aproximam de Deus e nos
fazem conhecedores da vontade de Deus para conosco. O próprio Deus nos capacita
e nos orienta de como devemos viver.
Em Atos dos Apóstolos, quando a Igreja
começa a se organizar, todas as coisas eram postas em comum, “vendiam suas propriedades e bens,
distribuindo o produto entre todos, a medida que alguém tinha necessidade”
(Atos 2,45). Mais adiante temos outra afirmação: “nenhum necessitado havia entre eles, porquanto os que possuíam terras
ou casas, vendendo-as, traziam os valores correspondestes e depositavam aos pés
dos apóstolos” (Atos 4,34-35). Tudo o que possuíam era posto em comum,
suprindo todas as necessidades da comunidade, tanto de alimento e provisões em geral,
bem como, o sustento das viagens missionárias. Esse é o destino dos dízimos e
contribuições que a Igreja recebe: manter sua estrutura (reformas, água, luz,
taxas ou impostos, sustento de seu pastor, investimento em missão) bem como, ajudar
aos necessitados, gerando assim uma sociedade mais digna e justa.
Ainda no Novo Testamento temos as
afirmações de Paulo em I Coríntios 9 nos relatando dos vários desafios de seu
ministério, e da necessidade de ser sustentado para poder prosseguir se
dedicando inteiramente ao seu ministério. Paulo faz referencia aos demais apóstolos e lideres
que também eram sustentados pela Igreja. “Assim
ordenou também o Senhor aos que pregam o evangelho que vivam do
evangelho” (I Coríntios 9, 14). E qual é a forma de se manter esse
sustento? O dízimo e as contribuições, sem dúvida alguma.
Ainda o Apóstolo Paulo orientando a
comunidade de Corinto diz: “No primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de
parte, em casa, conforme a sua prosperidade(sua renda), e vá juntando, para que
se não façam coletas quando eu for” (I Coríntios 16,2). Dando-nos a idéia de
regularidade e conforme a renda de cada um. Assim sendo o dízimo seria a melhor
forma de organizar isso, cada um contribui com parte igual, conforme a sua
renda.
Concluindo, devemos ter sempre presente
que este ato deve ser feito em ação de graças e com alegria, como nos diz o
próprio Paulo: “Cada um contribua segundo tiver proposto no
coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama a quem dá com
alegria" (II Coríntios 9,7). Outra afirmação de Paulo conclui bem essa
reflexão: “Todos os vossos atos sejam
feitos com amor” (I Coríntios 16,14). O Dízimo faz parte da Lei do Senhor,
e não há afirmação alguma no Novo Testamento ou de Jesus, que nos mostre que
seja uma prática superada ou prescrita, pelo contrário, são feitas afirmações
para aperfeiçoar nossa vida de consagração ao Senhor na observância da sua Lei.
Deus
nos abençoe e inspire para que possamos viver segundo seus preceitos.
Rev. Antônio Ryscak